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RESERVA NATURAL DO SADO

Flock of flamingos wading in water with grassy shore and trees in background.

RESERVA NATURAL DO ESTUÁRIO DO SADO

Com cerca de 23.000 hectares, a Reserva Natural do Estuário do Sado é uma das zonas húmidas mais importantes de Portugal. Estende-se ao longo das margens do rio Sado, desde Setúbal até Alcácer do Sal, e caracteriza-se pela sua baixa ocupação humana e pela perfeita integração entre as atividades económicas e o equilíbrio ecológico.

Nas margens, predominam os arrozais e as salinas; nas zonas mais elevadas, a floresta e a pastorícia. A pesca tradicional e a apanha de marisco mantêm-se vivas em pequenos núcleos piscatórios. Este mosaico de usos tradicionais, compatível com a conservação da natureza, explica a presença de centenas de milhares de aves e mamíferos ao longo do ano, tornando-se um santuário de biodiversidade.

SAL E SALINAS

O Sado foi uma das mais importantes regiões salineiras de Portugal. As condições naturais permitiram que os romanos aqui instalassem uma próspera indústria de salga de peixe, de que Tróia é o testemunho arqueológico mais emblemático.

Hoje, restam menos de uma dezena de salinas ativas. Mas o seu valor cultural e simbólico permanece intacto: o sal marcou a economia, a paisagem e a história da região durante séculos.

Mounds of salt drying under a clear blue sky near the sea.
Train passing through fields on a clear day with trees in the background.

ARROZAIS

A cultura do arroz chegou ao Sado por volta de 1760, na zona da Comporta, aproveitando os terrenos até então incultos junto às margens do rio. A região do Vale do Sado é hoje a maior e melhor zona orizícola do país.

A grande expansão deu-se a partir de 1950, com a construção das barragens de Pego do Altar e Vale de Gaio, cujos canais de rega passaram a disponibilizar água doce em maior escala. O arroz continua a ser uma das atividades económicas mais importantes de todo o estuário.

ABUL

Junto à margem direita do Sado, Abul guarda vestígios de uma ocupação milenar. Por volta do século VII a.C., os fenícios instalaram uma feitoria para trocas comerciais com as populações locais. O local, uma pequena elevação banhada pelo estuário em três lados, oferecia excelentes ancoradouros e permitia controlar todo o movimento marítimo do Sado.

Mais tarde, os romanos ocuparam o mesmo sítio e construíram fornos para produção de ânforas destinadas ao transporte do peixe salgado produzido em Tróia e Setúbal.

Rural landscape with a house near a large body of water.
Aerial view of a coastal area with winding waterways and buildings

MOURISCA

A Mourisca é um espaço de 40 hectares situado junto ao Faralhão, no coração da Reserva Natural. É uma propriedade preparada para ações de caráter ambiental, onde coexistem sapais, arrozais, floresta, zona agrícola e marinhas de sal.

Destaca-se um moinho de marés, um dos quatro que terão existido no estuário do Sado, e um pequeno porto palafita para embarcações de pesca tradicional. Local de visita obrigatória para amantes da natureza, com passeios pedestres, observação de aves e visitas guiadas.

CARRASQUEIRA

A Carrasqueira é a maior comunidade piscatória do estuário do Sado. O seu ex-líbris é o porto palafita, um conjunto espetacular de estacaria enterrada no lodo, que sustenta uma labiríntica rede de acessos aos ancoradouros individuais. É o maior porto palafítico do país neste género.

As típicas cabanas de colmo, outrora a habitação predominante na região, marcam ainda a paisagem. A Carrasqueira é muito visitada não só pela sua singularidade cultural, mas também pela gastronomia, onde se encontram alguns dos melhores pratos de peixe e marisco, cozinha alentejana tradicional e doçaria regional.

Wooden pier over water, blue boat, clear sky
Aerial view of a long sandy beach with waves and distant mountains under a clear blue sky.

COMPORTA

A Comporta, a sul da península de Tróia, é uma zona de contrastes: floresta, agricultura, rio, oceano e praias convivem numa paisagem de rara harmonia. Foi aqui que a cultura do arroz começou em Portugal, e a produção mantém-se até hoje como atividade central.

Com ocupação humana de mais de 5.000 anos, a Comporta é um dos principais destinos turísticos do litoral alentejano, procurada pela tranquilidade, pelas praias, pela gastronomia e pela oferta de atividades ao ar livre.